Depois de quatro meses de buscas e uma investigação que mobilizou equipes da Polícia Civil do Paraná (PCPR) em diferentes cidades do Estado, o caso envolvendo o desaparecimento das primas Letycia Garcia Mendes e Sttela Dalva Melegari Almeida, ambas de 18 anos, teve um desfecho trágico nesta sexta-feira (21).
Ossadas que, segundo a investigação, podem pertencer às duas jovens foram localizadas durante a manhã em uma área de mata na zona rural de Paraíso do Norte, no Noroeste do Paraná. O material estava enterrado em uma cova rasa, próximo à Estrada do Porto e a uma rodovia.
A identificação oficial ainda será realizada pela Polícia Científica e pelo Instituto Médico-Legal (IML), que recolheram os restos mortais e encaminharam o material para a unidade de Paranavaí. Os exames deverão confirmar se as ossadas são, de fato, das duas primas desaparecidas.
A localização ocorreu no mesmo dia em que a PCPR desencadeou uma operação para localizar pessoas investigadas pelo desaparecimento das jovens. Um dos suspeitos foi preso em Umuarama e teria indicado aos policiais o local onde as vítimas estavam enterradas. O homem é apontado como comparsa de Clayton Antonio da Silva Cruz, conhecido como “Dog Dog” ou “Sagaz”.
Durante a operação realizada nesta sexta-feira, um homem conhecido pelo apelido de “Magrão” foi preso em Umuarama. Conforme as informações divulgadas até o momento, ele é investigado por envolvimento com Clayton e teria fornecido aos policiais as informações que permitiram chegar até a área rural de Paraíso do Norte.
Com a indicação, equipes policiais seguiram até o ponto informado e localizaram uma cova rasa em meio à vegetação.
A operação contou com a participação de diferentes forças de segurança, incluindo equipes da Polícia Civil, Polícia Rodoviária Federal, Corpo de Bombeiros, Polícia Científica e IML.
O caso já vinha sendo tratado pela Polícia Civil como duplo homicídio, diante do conjunto de informações reunidas ao longo da investigação.
Também nesta sexta-feira, os policiais localizaram Clayton Antonio da Silva Cruz, de 39 anos, apontado como o principal suspeito pelo desaparecimento e pela possível morte das duas jovens.
Clayton estava escondido em Mandaguari, no Norte do Paraná. Segundo a Polícia Civil, informações obtidas pela Polícia Rodoviária Federal durante uma investigação relacionada a roubo de veículo ajudaram os investigadores a chegar até o paradeiro dele.
Clayton era considerado foragido e tinha prisão temporária decretada pela Justiça. Durante a abordagem, conforme as informações policiais, ele tentou fugir pelos fundos do imóvel onde estava escondido e entrou em uma residência.
No local, uma família acabou sendo feita refém. Diante da situação, os policiais intervieram e houve confronto. Clayton foi atingido e morreu. Segundo as informações divulgadas, o refém não ficou ferido.
Imagens obtidas durante a operação também mostram o suspeito tentando escapar pelo telhado da residência onde estava escondido.
Letycia e Sttela desapareceram entre a noite de 20 de abril e a madrugada de 21 de abril.
Segundo a investigação, as duas deixaram Cianorte acompanhadas de Clayton, que teria utilizado o nome falso de “Davi” para se apresentar às jovens.
Na madrugada seguinte, imagens de câmeras de segurança registraram as duas primas na companhia do suspeito em um estabelecimento de Paranavaí. Depois disso, elas não foram mais vistas.
Informações reunidas durante a investigação apontaram que Clayton teria retornado sozinho para Cianorte posteriormente e, desde então, passou a ser procurado pelas forças de segurança.
A investigação também apontou que ele utilizava uma caminhonete clonada e possuía antecedentes criminais. Em junho, equipes policiais já haviam realizado buscas na região rural de Paraíso do Norte, utilizando cães, drones e equipamentos de radar de penetração no solo, justamente diante da possibilidade de que as jovens estivessem naquela área.
A localização das ossadas representa um avanço importante para a investigação, mas ainda existem perguntas que deverão ser respondidas pelas autoridades.
Os exames periciais serão fundamentais para confirmar oficialmente a identidade dos restos mortais e, posteriormente, poderão ajudar a determinar a causa e as circunstâncias das mortes.
A Polícia Civil também deverá aprofundar a apuração sobre a participação de cada um dos investigados e esclarecer se outras pessoas tiveram envolvimento no crime.
Com a morte de Clayton durante o confronto policial e a prisão de um possível comparsa, a investigação entra agora em uma nova etapa, concentrada na reconstrução dos últimos momentos de Letycia e Sttela e na responsabilização dos envolvidos.
Até o momento, a identificação oficial das ossadas ainda não foi divulgada pela Polícia Científica. Portanto, embora os indícios apontem fortemente para as duas jovens desaparecidas, a confirmação definitiva depende dos exames periciais.
As duas primas tinham 18 anos e estavam desaparecidas havia aproximadamente quatro meses. O caso provocou mobilização das famílias, das forças de segurança e da comunidade de Cianorte durante todo o período de buscas.