O preço do diesel comum registrou um aumento de 8,5% no Paraná durante outubro de 2026, em comparação com setembro, colocando o estado na liderança nacional de alta do combustível. O litro chegou ao preço médio de R$ 6,89, conforme levantamento do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL).
A elevação preocupa especialmente os setores de transporte e agronegócio, que dependem diretamente do diesel para suas atividades. No Oeste do Paraná, região marcada pela forte presença da agricultura, o aumento ocorre em um momento importante de preparação e plantio da safra de verão 2026/2027.
Um dos dados que mais chamam a atenção é que, mesmo registrando o maior aumento percentual do país, o Paraná continuou apresentando o menor preço médio do diesel comum entre os estados brasileiros, segundo o levantamento.
Segundo a Edenred, a alta está relacionada à combinação de fatores internacionais e ao aumento da demanda interna. As tensões geopolíticas, as restrições de oferta e os custos de refino mantiveram o petróleo valorizado em outubro, com o barril do tipo Brent atingindo US$ 113,17 no dia 22.
Outro fator importante é a dependência brasileira das importações. Mais de um quarto do diesel consumido no país vem do exterior, deixando o mercado nacional exposto às oscilações internacionais.
A pressão acontece justamente durante o plantio da safra de verão, período de maior movimentação de máquinas agrícolas, caminhões e transporte de insumos.
No Oeste do Paraná, o aumento merece atenção especial. A região concentra uma importante produção de grãos, além de cooperativas, agroindústrias e empresas transportadoras que dependem diariamente do combustível.
Com o diesel mais caro, produtores rurais podem enfrentar despesas maiores no preparo do solo, plantio e transporte da produção. Para os caminhoneiros, o impacto aparece diretamente no custo das viagens.
Como exemplo, considerando a alta de 8,5%, o litro do diesel comum passou de aproximadamente R$ 6,35 para R$ 6,89. Isso representa cerca de R$ 270 a mais para abastecer um tanque de 500 litros, utilizando os preços médios dos dois meses.
Esse aumento pode pressionar o valor do frete e, consequentemente, os custos de distribuição de alimentos e mercadorias. Entretanto, o repasse ao consumidor não é automático e depende de outros fatores econômicos.
Os dados nacionais mostram que o diesel comum encerrou outubro com média de R$ 7,19 por litro, aumento de 4,81%. Já o diesel S-10 chegou a R$ 7,44, alta de 2,48%.
A gasolina apresentou movimento contrário, com redução de 0,30%, chegando à média nacional de R$ 6,71. O etanol subiu 1,65%, alcançando R$ 4,31.
Na Região Sul, o diesel comum registrou aumento de 6,96%, atingindo R$ 6,92 por litro. Apesar da elevação, a região manteve os menores preços médios do país para diesel comum, diesel S-10 e gasolina.
A diferença entre os estados também é expressiva: enquanto o Paraná apresentou média de R$ 6,89 para o diesel comum, Roraima registrou R$ 8,26, uma diferença de R$ 1,37 por litro.1
O levantamento da Edenred Ticket Log considera transações realizadas em aproximadamente 21 mil postos credenciados em todo o Brasil. Os valores são médias e podem variar conforme a cidade e o estabelecimento.
O cenário reforça a preocupação com os custos do transporte e da produção agrícola, especialmente em regiões como o Oeste do Paraná, onde o diesel é fundamental para movimentar a economia.