Você está em: Página Inicial > Cotidiano
Google lista prostituta entre principais significados para professora e retira depois de repercussão
Por G1 Educação | Postado em: 23/10/2019 - 18:00

Publicidade Publicidade Publicidade

O resultado da busca no Google para a palavra "professora" virou alvo de críticas nas redes sociais e entre entidades ligadas aos docentes. Além do significado tradicional, que é “mulher que leciona”, o site exibiu uma segunda definição logo depois da principal: “prostituta que inicia os adolescentes na vida sexual”. Após a repercussão negativa, o site de buscas editou o verbete e removeu nesta quarta-feira (23) a segunda definição, considerada pejorativa.

Na terça (22), a assessoria de imprensa do Google havia informado que o site estabelece parcerias com dicionários, por exemplo, “para fornecer informações e serviços que os usuários procuram”. “Licenciamos seu conteúdo para oferecer respostas úteis diretamente na página de resultados da busca”, afirmou a nota. Em outras palavras: o Google apenas apresentaria o significado elaborado por dicionários.

Segundo nota do Google enviada ao G1, a empresa diz que a mudança no resultado da busca é reflexo de decisão tomada por um parceiro de conteúdo.

"Em relação à palavra 'professora', a Oxford University Press, nossa parceira que trabalha com tradicionais editores de dicionário no Brasil, determinou que a segunda definição está em desuso e não é atual o bastante para ser incluída. A Oxford University Press removeu a definição e essa mudança está refletida nos resultados de dicionário exibidos na Busca para 'professora'." – Google

Definição do Google mencionava 'professora' como 'prostituta' — Foto: Reprodução

Em consulta feita pelo G1 à página de três dicionários, o emprego e a ordem de exibição da definição criticada são os mesmos que apareceram no Google.

Registro do uso informal

Professores de português consultados pelo G1 e as editoras do Aurélio e do Houaiss explicam que os dicionários têm a opção de registrar o uso informal da língua – e isso inclui termos preconceituosos ou depreciativos, palavrões e regionalismos. Não significa que as instituições que publicaram essas obras aprovem, por exemplo, que alguém utilize o termo “professora” para se referir a prostitutas.

Definição do termo 'professora' no dicionário Houaiss — Foto: Reprodução

“Culpar o dicionário por isso é o mesmo que culpar o termômetro pela febre. A obra apenas faz um registro do uso da palavra em determinado contexto. No Houaiss, no Michaelis e no Google, há a sigla sinalizando que é uma variante informal típica do Nordeste”, explica Henrique Braga, autor de português do Sistema Anglo de Ensino.

Antunes Rafael, professor de língua portuguesa e diretor do Colégio Oficina do Estudante (SP), explica que é preciso fazer uma reflexão sobre o emprego da palavra na sociedade. “O dicionário não está concordando nem dizendo que é o significado real do termo. Apenas escancara a opinião de grupos que ainda usam uma conotação sexual para se referir à mulher”, diz Rafael.

“As professoras são alvo de preconceito em salas de aula e em escolas. É uma abordagem que precisa ser combatida – mas o problema não é o dicionário.” - Antunes Rafael, professor de língua portuguesa.

Dicionário Michaelis também apresenta o sentido de 'prostituta' para a palavra 'professora' — Foto: Reprodução

No uso corrente de um idioma, é comum que as palavras adquiram novos sentidos. Sérgio Nogueira, mestre em língua portuguesa, lembra, por exemplo, que é comum ouvir jogadores se referirem ao técnico como “professor”.

Os dicionários são independentes e têm o direito de escolher se registram o uso informal de uma palavra. Rapariga, por exemplo, em Portugal, é ‘moça’. Em determinadas regiões brasileiras, é ‘prostituta’. Registrar isso não significa concordar com a ideia”, explica.

Editoras justificam verbete

Em nota, o Aurélio afirma que "inserir um regionalismo como uma das acepções possíveis para uma palavra é ação natural de um dicionário, que deve apresentar o maior número possível de significados para um termo".

"Quanto ao público-alvo da obra, é importante destacar que a obra Aurélio 5ª edição está indicada para um público que pode acessar palavras como essas. No Míni Aurélio 8ª edição, indicado para crianças e jovens, o verbete 'professora' tem apenas uma acepção: 'mestra'", explica o texto.

O Instituto Antonio Houaiss segue o mesmo raciocínio:

"Os dicionários não usam as palavras que registram para ofender, menosprezar ou caçoar de ninguém. Apenas registram o que encontram no uso da língua", diz a nota.

E prossegue: "são como um espelho que reflete os conceitos mais nobres e belos, tanto como os mais agressivos e grosseiros que encontram, e fazem-no cientificamente, sem julgamento de valor".

O Houaiss também afirma que não adianta omitir um significado do dicionário. "Varrê-los para debaixo do tapete não significaria eliminá-los da língua, infelizmente", diz.

Já a editora Melhoramentos esclarece que atualizará a versão digital do "Michaelis" e a próxima edição da obra impressa. "O termo pejorativo faz parte do livro 'Dona Flor e seus dois maridos', de Jorge Amado (1966), e é adotado por dicionários desde a década de 70. Mas a língua está sempre em movimento, mudando, adaptando-se", informa.

Apeoesp faz notificação

A Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) chegou a protocolar, na terça-feira (22), uma notificação extrajudicial contra o Google.

A presidente do órgão, deputada Professora Bebel, afirma que o provedor é responsável pelas publicações elencadas na ferramenta de busca. Por isso, exigiu que o conteúdo fosse retirado imediatamente do ar, por causar "grande constrangimento e revolta de todos que respeitam as professoras deste país".

Últimas Notícias
Cotidiano 24 Mar às 15:20
O evento contou com a presença de importantes lideranças nacionais da sigla, como o senador Flávio Bolsonaro e o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, além de outras lideranças políticas.
Cotidiano 24 Mar às 14:45
Um dos maiores nomes do pop-rock nacional, que estará presente na programação do evento, no dia 23 de julho
Cotidiano 24 Mar às 14:29
Campanha da Santa Rosa Calçados segue até sábado (28) e mais uma vez movimenta clientes em busca de economia
Cotidiano 24 Mar às 13:32
A iniciativa integra uma mobilização nacional articulada entre órgãos de defesa do consumidor, com foco no acompanhamento da formação de preços diante dos recentes aumentos registrados no setor.
Cotidiano 24 Mar às 11:31
História de coragem comoveu a comunidade e mobilizou campanhas para tratamento
Portal Nova Santa Rosa
Tecnologia e desenvolvimento