Mais de um mês após o corpo de Antônio Rodrigues Júnior, de 46 anos, ser encontrado no Rio Paraná, na Argentina, a viúva, Adriane de Paulo Miranda, ainda aguarda a liberação para trazer os restos mortais ao Brasil.
Segundo ela, nem mesmo o exame de DNA, que deve confirmar oficialmente a identidade dele, foi realizado até o momento.
"A gente está passando por um momento muito difícil e não está sendo fácil para a família. Minha filha tem 9 anos, entende o que está acontecendo e conversa sobre a situação comigo, mas é uma espera muito difícil para todos nós. Seguimos aguardando”, disse Adriane.
Morador de Céu Azul, no Oeste do Paraná, Antônio desapareceu no dia 9 de maio, em Foz do Iguaçu, enquanto esperava a esposa fazer compras em Cidade do Leste, no Paraguai. O corpo foi localizado seis dias depois, em 16 de maio, pela Marinha argentina, na região de Porto Leoni, na província de Misiones.
De acordo com a família, o reconhecimento inicial foi feito pelas roupas e por um anel que Antônio usava no dia do desaparecimento. Apesar disso, o corpo permanece na Argentina à espera dos procedimentos legais exigidos pelas autoridades locais.
A viúva afirma que aguarda a realização do exame de DNA e outras liberações judiciais para que o traslado possa ser autorizado. Até agora, não há previsão para a conclusão do processo.
A causa da morte também não foi divulgada.
O Ministério das Relações Exteriores informou que presta assistência consular aos familiares de Antônio, mas não repassaram informações sobre o processo de liberação do corpo.
Processo pode levar meses
O caso de Antônio não é isolado. Famílias de outros paranaenses encontrados mortos na Argentina também enfrentaram longos períodos de espera para conseguir trazer os corpos de volta ao Brasil.
Um dos exemplos é o de Antônio Marcos Backes, de 36 anos, morador de Barracão, no Sudoeste do Paraná. O corpo dele foi encontrado em Bernardo de Irigoyen, cidade argentina na fronteira com o Brasil. A investigação trata o caso como homicídio.
Mesmo após a confirmação da identidade, a família ainda precisou aguardar autorização da Justiça argentina para o traslado. Ao todo, o processo levou quase nove meses até que o corpo pudesse ser liberado para retorno ao Brasil.
Como funciona a repatriação
Segundo o Consulado do Brasil em Buenos Aires, a repatriação de um corpo depende, inicialmente, de autorização da Justiça do país onde ocorreu a morte.
A liberação é concedida após a análise do caso e a definição das circunstâncias do óbito. O prazo varia conforme a complexidade da investigação.
Depois da autorização judicial, cabe à família contratar uma funerária no país estrangeiro para realizar os procedimentos necessários e organizar o traslado.
O Consulado informou anteriormente que, em situações sem investigação criminal, o processo pode ser concluído em até dez dias. Nos casos em que há necessidade de perícias, exames complementares ou apuração das circunstâncias da morte, o prazo pode ser significativamente maior.