A Chapecoense retornou nesta sexta-feira (25) ao local do acidente aéreo que marcou sua história para homenagear as 71 pessoas que morreram na tragédia de 2016. Integrantes da delegação estiveram no Cerro Gordo, também conhecido como Cerro Chapecoense, em La Unión, na Colômbia, em uma visita marcada por oração, lembranças e respeito às vítimas. A homenagem integra a programação alusiva aos dez anos do acidente, que serão completados em novembro.
Entre os presentes estava o ex-zagueiro Neto, um dos seis sobreviventes da queda da aeronave. Aos 41 anos, ele voltou pela terceira vez ao lugar onde quase perdeu a vida. Ao lado da delegação, participou do tributo aos companheiros e às demais vítimas.
Nas redes sociais, a Chapecoense destacou o significado da visita e os vínculos construídos com os colombianos. O clube descreveu a passagem pelo local como um encontro com a memória das pessoas que jamais serão esquecidas e com uma história que continua unindo Chapecó e Medellín.
Amizade que atravessou fronteiras
A viagem também foi marcada por uma recepção promovida pelo Atlético Nacional. Na sexta-feira, representantes da Chapecoense participaram do evento “Leyendas”, em Medellín, que contou com a exibição de um vídeo em homenagem ao clube brasileiro.
O ex-goleiro René Higuita, ídolo do futebol colombiano, participou da programação. O encontro teve ainda a apresentação de um muro dedicado à amizade entre as equipes e uma troca de quadros comemorativos entre os clubes.
“Jogo da Amizade Eterna” terminou em 1 a 1
O reencontro em campo aconteceu neste sábado (26), no Estádio Atanasio Girardot, em Medellín. No chamado “Jogo da Amizade Eterna”, Chapecoense e Atlético Nacional empataram por 1 a 1.
Os dois gols saíram no primeiro tempo. Yago Felipe abriu o placar para a equipe catarinense, e Benítez empatou para os colombianos. Além das homenagens, o amistoso teve caráter solidário, com destinação de parte da renda ao auxílio de pessoas afetadas por um terremoto na Colômbia.
Neto também foi homenageado no estádio, antes da partida e durante o intervalo. A Chapecoense estreou seu terceiro uniforme, com referências à memória das vítimas e a inscrição “Pra sempre lembrados”.
Uma final interrompida pela tragédia
O avião que transportava a delegação catarinense caiu quando a equipe viajava para enfrentar o Atlético Nacional na primeira partida da final da Copa Sul-Americana de 2016. O acidente aconteceu no fim da noite de 28 de novembro na Colômbia, já madrugada de 29 de novembro no Brasil.
A queda deixou 71 mortos, entre jogadores, integrantes da comissão técnica, dirigentes, jornalistas e tripulantes. Seis pessoas sobreviveram: os jogadores Neto, Alan Ruschel e Jackson Follmann, o jornalista Rafael Henzel e os tripulantes Erwin Tumiri e Ximena Suárez.
Após a tragédia, o Atlético Nacional pediu que o título da competição fosse concedido à Chapecoense. A Conmebol acolheu a solicitação e reconheceu o clube brasileiro como campeão da Copa Sul-Americana de 2016. O time colombiano recebeu uma homenagem especial pelo gesto de solidariedade e espírito esportivo — atitude que se tornou um dos símbolos da relação entre as duas equipes.