O delegado de Polícia Civil, Ricardo Moraes Faria dos Santos, concedeu entrevista nesta segunda-feira (02) detalhando o duplo homicídio ocorrido na madrugada de domingo (01), em Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná. O caso envolveu um motorista de aplicativo, dois passageiros — irmãos — e uma passageira.
De acordo com a investigação, o motorista foi acionado para realizar uma corrida entre os bairros Padre Ulrico e Cantelmo. Durante o trajeto, os passageiros consumiam bebida alcoólica e acabaram derramando cerveja no interior do veículo. Após o desembarque, o motorista percebeu ainda que uma bolsa feminina havia sido esquecida no banco traseiro.
Ao retornar ao endereço para entregar a bolsa e relatar que o derramamento da cerveja teria feito com que ele perdesse aquela noite de trabalho, houve um desentendimento entre os dois passageiros e o motorista, afirmou o delegado.
Segundo o relato do motorista à polícia, os passageiros reagiram ao comentário. Um dos irmãos, que estava armado com um revólver calibre .22, teria tentado sacar a arma durante a discussão. O motorista, que portava uma pistola calibre 9mm, afirma que foi neste momento que efetuou os disparos.
Ainda conforme o delegado, o segundo irmão passou a atacar o motorista com uma faca e também foi baleado. Um dos homens, identificado como Adriano, morreu no local. O outro, Jefferson, chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e morreu posteriormente.
Após os disparos, o motorista permaneceu no local e acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). A Polícia Militar foi acionada após denúncias de tiros e apreendeu a pistola calibre 9mm, o revólver calibre .22 e a faca. Segundo a polícia, nenhuma das armas possuía autorização de porte no momento da ocorrência, e o revólver também não era registrado.
O motorista afirmou em depoimento que agiu em legítima defesa. O delegado destacou que ele é réu primário, não possui antecedentes criminais e colaborou com as investigações. Mesmo assim, foi autuado pelos crimes de homicídio e porte irregular de arma de fogo de uso restrito, já que, embora a pistola estivesse registrada, o motorista não tinha autorização para portá-la.
A terceira passageira não se feriu e prestou depoimento à Polícia Civil.
O caso foi encaminhado ao Poder Judiciário e, após audiência de custódia, a Justiça decidiu que o motorista responderá ao processo em liberdade. O alvará de soltura foi expedido levando em consideração os antecedentes do investigado e sua conduta após os fatos, como o acionamento do socorro e a permanência no local.
A Polícia Civil do Paraná segue com as investigações para a conclusão do inquérito.