Uma tragédia comoveu Cascavel e toda a região Oeste do Paraná neste domingo (7). O menino Carlos Eduardo Camargo dos Santos, de apenas 12 anos, morreu após ser atropelado por um caminhão no cruzamento das ruas Serra da Borborema e Serra do Vento, no bairro Periolo.
Segundo as informações apuradas, a criança estava próxima à calçada brincando com uma bola enquanto aguardava a passagem de veículos. Conforme imagens de câmeras de segurança, Carlos permaneceu de costas para o caminhão e, instantes depois, foi atingido durante uma conversão à direita realizada pelo motorista. O veículo passou sobre o menino e seguiu viagem.
Equipes do Siate e do Corpo de Bombeiros foram mobilizadas rapidamente, porém a vítima sofreu ferimentos gravíssimos e morreu ainda no local.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, o motorista relatou inicialmente que não percebeu o momento do atropelamento. O caminhão foi localizado algumas quadras à frente e apresentava vestígios compatíveis com o acidente.
A tragédia gerou revolta entre moradores e pessoas que presenciaram a cena. Populares chegaram a atacar o caminhão com pedras e o condutor acabou sendo agredido. Agentes da Guarda Civil Patrimonial, que passavam pela região, intervieram para evitar agressões mais graves e colocaram o motorista em uma viatura. Equipes da Guarda Municipal também foram acionadas para controlar a movimentação de pessoas e dar apoio à ocorrência.
Durante os procedimentos realizados no local, o caminhoneiro foi submetido ao teste do etilômetro. O exame apontou 0,67 miligrama de álcool por litro de ar expelido pelos pulmões, índice que configura crime de trânsito por embriaguez ao volante.
Diante do resultado, ele foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil, onde permaneceu preso. O motorista responde por homicídio culposo na direção de veículo automotor em estado de embriaguez.
Em depoimento às autoridades, o caminhoneiro afirmou que não percebeu ter atropelado a criança e negou ter subido na calçada durante a manobra.
"Eles falam que eu subi na calçada, eu não subi. Do jeito que eu virei a carreta para subir na esquina, eu vi que a carreta passou mais de meio metro do meio-fio, porque se eu subir no meio-fio vou arrebentar os pneus", declarou.
O motorista contou ainda que seguiu viagem normalmente e só tomou conhecimento do atropelamento quando já havia parado o caminhão em outra esquina.
"Quando cheguei na outra esquina tinha um menino de frente para um carro na garagem. Parei a carreta enquanto o rapaz fazia uma manobra para sair. Foi quando uma pessoa bateu na porta e falou: 'moço, você passou em cima do menino'", relatou.
Segundo o 2º Tenente Vidor, da Polícia Militar, a versão apresentada pelo condutor está sendo analisada. A corporação informou que a hipótese de um ponto cego será considerada durante as investigações, em razão das dimensões do conjunto formado pelo caminhão e pelo semirreboque.
O caminhoneiro também admitiu que havia consumido cinco cervejas horas antes do acidente. Conforme seu relato, ele almoçou por volta das 13h30, levou o filho até o bairro Riviera, retornou para casa, descansou e depois iniciou o trabalho. O atropelamento ocorreu por volta das 17 horas.
A defesa do motorista é acompanhada pela advogada Daiane Signori. Ele permanece preso e deverá passar por audiência de custódia. As circunstâncias do acidente seguem sendo investigadas pela Polícia Civil.
A morte de Carlos Eduardo causou profunda comoção na comunidade. O Colégio Estadual Marcos Claudio Schuster, onde o menino estudava no 7º ano D, divulgou uma nota de pesar lamentando a perda do aluno e prestando solidariedade aos familiares, amigos, colegas e toda a comunidade escolar.
Durante o velório realizado nesta segunda-feira (8), a mãe do garoto fez um emocionado desabafo e pediu justiça.
"Ele tinha um coração de ouro. Todo mundo gostava dele, todo mundo naquela rua conhecia e adorava ele. Eu nunca mais vou ver o meu pezinho. Eu quero justiça. Esse homem não pode ficar solto", afirmou, aos prantos.
O corpo de Carlos Eduardo Camargo dos Santos está sendo velado na capela mortuária do Cemitério Jardim da Saudade, no bairro Guarujá, em Cascavel. O sepultamento está marcado para as 16h30 desta segunda-feira.
A morte precoce do menino gerou grande repercussão e deixou familiares, amigos, colegas de escola e moradores da cidade profundamente abalados. As investigações prosseguem para esclarecer todos os detalhes da tragédia.