Neste sábado, 7 de novembro, completa-se um ano de uma das maiores tragédias climáticas da história do Paraná. O tornado que devastou Rio Bonito do Iguaçu, na região Centro-Sul do estado, em 2025, deixou marcas profundas na cidade e na vida de milhares de famílias. Com ventos que ultrapassaram os 300 km/h, o fenômeno provocou seis mortes, deixou mais de 750 pessoas feridas e afetou aproximadamente 11 mil moradores.
Passados 12 meses, a reconstrução ainda está longe de terminar. Cerca de 80% das estruturas do município ainda necessitam de adequações ou obras, demonstrando a dimensão dos estragos provocados pelo tornado.
Os trabalhos envolvem residências, prédios públicos e espaços comunitários. Até mesmo a sede da prefeitura, que retomou recentemente suas atividades, continua passando por intervenções para recuperar os danos sofridos.
Por trás dos números estão histórias de famílias que perderam praticamente tudo e precisaram encontrar forças para recomeçar.
Uma dessas histórias é a de uma moradora que estava no início da gravidez quando o tornado atingiu a cidade. Sua residência foi completamente destruída e, durante a tempestade, ela sofreu ferimentos, incluindo a fratura de uma costela.
"Você olhar para a tua casa e você não ter mais nada, e você já saber que carrega uma vida ali que estava no início ainda, mas o sentimento de você ter aquela perda de novo foi muito grande", relatou a mulher, ao recordar os momentos de desespero.
Hoje, com a filha de quatro meses nos braços e a casa reconstruída, ela representa o recomeço de muitas famílias. Entretanto, as consequências emocionais da tragédia permanecem.
O medo de novos temporais ainda faz parte da rotina de moradores. Sempre que os ventos ganham intensidade, as lembranças daquele 7 de novembro voltam à tona, trazendo a insegurança de quem presenciou a destruição de bairros inteiros e propriedades rurais.
Na área habitacional, um programa desenvolvido pela Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) já possibilitou a entrega de 19 novas moradias. Outras 80 unidades estão em construção, com investimentos que ultrapassam R$ 10 milhões.
Outra importante iniciativa é a reconstrução da Escola Municipal Serbe. O projeto prevê a implantação de um complexo que reunirá, em um mesmo espaço, a escola, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) e um centro cultural.
O investimento supera R$ 12 milhões, com previsão de conclusão até o final de 2027.
Apesar dos avanços, o cenário mostra que a recuperação completa do município ainda exigirá tempo, recursos e o envolvimento de diferentes setores da sociedade.
Para marcar o primeiro aniversário da tragédia, Rio Bonito do Iguaçu prepara uma programação especial neste sábado (7), denominada Memorial do 7 de Novembro.
As atividades incluem culto religioso, exibição de documentário, ações voltadas às crianças, distribuição de rosas, chegada da Tropeada Luminosa, plantio da Árvore da Esperança e apresentação musical.
Outro momento simbólico será a mudança de denominação do Santuário Santo Antônio de Pádua, que passará a ser chamado de Santuário Santo Antônio da Esperança, reforçando a mensagem de fé e renovação da comunidade.
Durante a programação, a prefeitura também pretende apresentar uma prestação de contas das ações realizadas ao longo do último ano e lançar um portal da transparência, reunindo informações sobre os investimentos e o andamento das obras de reconstrução.
Um ano depois, Rio Bonito do Iguaçu continua convivendo com os efeitos de uma tragédia que transformou sua história. Casas estão sendo reconstruídas, espaços públicos recuperados e famílias retomam, pouco a pouco, suas rotinas.
Mas existem marcas que não desaparecem com a reconstrução de paredes e telhados. A perda de vidas, o medo das tempestades e as lembranças daquele dia permanecem na memória da população.
Entre a saudade de quem partiu, a coragem de quem sobreviveu e a esperança de dias melhores, Rio Bonito do Iguaçu segue reconstruindo muito mais do que uma cidade: segue reconstruindo a vida de sua gente.